sábado, 12 de agosto de 2017

Rejeição à Tribalistas mostra que para muitos o ótimo é o novo ruim

A má qualidade da educação e a subserviência à mídia tem feito a sociedade emburrecer bastante. Estamos no auge da burrice coletiva e a gigantesca maioria das pessoas já perdeu a capacidade de compreender a realidade e de definir o que é bom ou ruim, seja de qualidade artística, seja de caráter. 

Hoje, cada um constrói a realidade com base em convicções e se muitos acreditam numa ideia tola, irreal, ela é consagrada no senso comum. Ou seja, o próprio senso comum, que é o conjunto de ideias consagradas pela coletividade, já é construído com base em crenças e interpretações equivocadas e não mais na racionalidade e na observação dos fatos reais.

O conceito de música de qualidade praticamente desapareceu das mentes das pessoas. Está havendo uma inverso de valores que define o bom através da sua ruindade e reprova obras que tenham muita qualidade. Para a maioria, obras de qualidade soam surreais e obras ruins parecem mais "humanizadas", aproximando seus criadores da plateia que ouve.

Medíocres são os "novos gênios"

A razão de eu escrever esta postagem está nas críticas que os Tribalistas receberam de vários sites e redes sociais. As pessoas demonstraram reprovação da volta da excelente banda formada por Marisa Monte, Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes, tratados como um bando de chatos. 

Curioso que nomes bem ruins são bem elogiados e ate blindados, com críticas automaticamente censuradas. Quem faz música comercial, com ênfase na dança e letras claramente medíocres é tratado hoje como "os novos gênios". Isso é muito visto nos funqueiros e no pop juvenil feito para dançar.

Criticar o "funk" inclusive foi definido como "fascismo" em um texto claramente subjetivo. Para quem escreveu, exigir melhoria da qualidade musical virou sinônimo de exclusão social. Parece que a arte, antes uma forma de expressão resultante do talento raro de alguns, virou "direito básico" como comer, dormir e mijar. Ou seja, definir um péssimo artista como ruim se tornou ofensivo. Agora músicos ruins tem o direito "sagrado" de despejar seu lixo sonoro e ser aplaudidos por isto.

A palavra "arte" mudou de sentido

Parece que para o senso comum, a arte mudou de sentido. Foi fundida - e confundida - com direito de se expressar. Respeito o direito da pessoa falar, de transmitir seu recado. Mas empinar o traseiro ao som de um ritmo irritante com letras toscas não me parece a melhor forma de se expressar. A arte exige qualidades que não são necessárias em uma conversa corriqueira.

Na contramão, o suposto distanciamento entre o artista e seu público faz parte da verdadeira arte. Artista é uma coisa e público outra. Quando o artista começa a fazer o que o público sabe fazer, o sentido de arte desaparece e o artista se reduz a um ser comum. A capacidade de criar algo diferente evapora e tudo se banaliza e até se vulgariza.

A arte sempre significou fazer algo que a maioria não faz. É uma forma sofisticada de comunicação e tem a sua peculiaridade. Não pode ser confundida com produto comercial e nem como um colóquio feito por pessoas comuns. A arte exige sofisticação e tirar isso é praticamente acabar com a arte e transformá-la em outra coisa.

Gênios criticados e cantores de chuveiro "canonizados"

Certamente quem elogia o "funk" e critica obras de qualidade como as canções dos Tribalistas ou a nova de Chico Buarque (que também recebeu críticas) tem a noção errada de que o artista deve se rebaixar e fazer algo que as pessoas comuns sabem fazer quando cantam no chuveiro. A música brega nasceu deste conceito de rebaixamento artístico, quando cantores de chuveiro começaram a invadir as rádios com a sua mediocridade sonora, hoje facilmente blindada por um bando de ingênuos.

Está havendo uma inversão de valores e as críticas aos Tribalistas mostram que o ótimo é o "novo ruim". Enquanto isso dançarinos que fingem ser cantores saracoteiam seus glúteos ao som de nulidades sonoras para depois serem "canonizados" como os novos gênios artísticos, donos absolutos da cultura atual.

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