terça-feira, 16 de maio de 2017

Renaissance, um dos maiores nomes do progressivo, fará turné pelo país e começa por Niterói

Eu gosto bastante de rock progressivo. Adoro mesmo. Quando quero me relaxar de noite é ao som de álbuns inteiros de rock progressivo disponíveis no YouTube, "viajando" em cidades pelo Google Street View. Quem tacha o gênero de chato é porque não tem a sensibilidade necessária para absorver as belezas exclusivamente oferecidas pelo gênero.

Rock progressivo nunca foi muito popular no Brasil, embora tenha público bem fiel. Quem gosta de rock progressivo gosta mesmo (não por moda, pois o gênero é complexo demais para ouvidos menos sensíveis) e ouve suas músicas com detalhada atenção.

É curioso ver que uma banda progressiva continue em atividade, criando novas canções e fazendo turnês gigantescas. Muita gente pensa que isso é uma prerrogativa do Pink Floyd, com certeza a mais popular do gênero. A Renaissance, uma das poucas lideradas por uma mulher, Annie Haslam, e famoso pelo maravilhoso álbum Ashes are Burning, de 1973, resolveu se arriscar em uma época onde a mediocridade domina na música que toca nos rádios e que enche estádios. 

Fazer turné no Brasil é ainda mais arriscado, pois o povo brasileiro é tradicionalmente avesso a complexidades e sente uma certa tara por modismos. Uma turné de uma banda de rock progressivo é arriscada, mas deve atrair os fãs do gênero que mesmo não sendo uma maioria, existem em grande quantidade.

Ligação da banda com o Brasil

O que pode favorecer o Renaissance no Brasil é a amizade que os integrantes conseguiram com membros do Clube da Esquina, movimento mineiro de MPB que absorveu muita influência do rock progressivo. Quem ouvir No God's a Man da banda Gentle Giant (uma das minha favoritas no gênero, junto com o Soft Machine do gênio Robert Wyatt e o famosíssimo Pink Floyd), vai sentir o cheiro mineiro de flor presente na canção da banda inglesa influenciada por musica barroca. Impossível ouvir hoje No God's a Man sem se lembrar de Beto Guedes e Lô Borges.

Em outras vindas ao Brasil - o Renaissance não encerrou atividades, apenas fazendo pausas - integrantes (incluindo um que resolveu morar no Brasil) acabaram entrando em contato com vários membros do movimento mineiro, principalmente Flávio Venturini, com experiência na banda progressiva O Terço, que chegou a gravar com Haslam em trabalho solo dela. Bom lembrar que Haslam é dona de uma das mais belas vozes femininas da música em geral. Fato curioso no rock progressivo, um gênero com poucas mulheres envolvidas, como Kate Bush e a vocalista de uma banda desconhecida que eu ouvi que não me lembro o nome, além de outras menos famosas.

A turné começa no Teatro Municipal de Niterói, cidade onde eu resido e segue por várias cidades pelo país. Eu não poderei ver a apresentação da banda por causa do preço salgado (o mais barato é 220  e estou em dificuldades financeiras). Os ingressos de Niterói são estranhamente os mais caros da turné (há cidades em outros estados onde a apresentação custará 90 reais), talvez pela pela fama de ser a cidade com o maior número de ricos por m³ (o que justifica o altíssimo custo de vida na cidade, um dos motivos de minha crise financeira pessoal) do que pelo interesse pelo gênero, bastante impopular por aqui. Rock, seja de qual sub-gênero for, anda em baixa em Niterói.

Mesmo assim fico feliz em saber que a banda continua, que fará turné no Brasil e começando na cidade onde eu vivo. mesmo que a popularidade do rock progressivo seja proporcionalmente oposta a sua inquestionável qualidade musical.

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