domingo, 28 de maio de 2017

Niterói não foi feita para solitários a fim de arrumar companhia

Caro amigo, se você está sozinho, quer um amor, uma companhia para passar os bons momentos da vida, este recado é para você: não venha para Niterói. Quer dizer, venha, se não for para arrumar um namorado/a. Se veio só se for para fazer outras coisas, pois se for para arrumar alguém, veio ao lugar errado.

Niterói é um lugar apenas para casais que já se formaram. A não ser se você for adolescente, pois nesta fase da vida ainda há pessoas solteiras e eventos sociais que estimulem a paquera. Após os 18 anos, as coisas se complicam. Após os 25 anos, lamento, suas chaces são perto do nulo.

Se não bastasse a própria índole do povo local, elitista, autoritário, preconceituoso, o que torna as regras de vida afetiva um pouco complicadas, não há na cidade um evento que pudesse estimular a paquera. O esquema é na base do "se vire". O pior é que as mulheres niteroienses detestam paquerar. E se isso já é ruim, as mulheres confundem paquera com cantada mal intencionada, coisa que as feministas consideram coisa de estuprador. Aí é foda!

Se o que é catastrófico não é o suficiente, um dos poucos lugares gratuitos reservados para a vida social, o Campo de São Bento, virou uma lan house ao ar livre, desestimulando a vida social, já que as pessoas vão lá para grudar a cara nos seus celulares, aproveitando a internet gratuita. Ora, se quer internet gratuita vá para shoppings ou para outros lugares!

Digitando palavras que liguem Niterói a paquera nos sites de busca, só se acha opções de boates, bares e afins. parece que a paquera é um negócio que só serve para lucrar ambientes desse tipo. Há muita gente ganhando dinheiro com a paquera alheia e talvez haja um interesse em desestimular a conquista afetiva fora desses ambientes para não prejudicar a ganância mercantil de quem quer lucrar com isso.

Estímulo à sociabilização

O cenário de Niterói é bem diferente do de Salvador, por exemplo, uma cidade que cria meios que facilite a interação social. Recentemente, a orla da Barra, perto do famoso farol, foi toda transformada em calçadão para estimular a vida social existente no local. Isso se lembrarmos que há muitas festas em Salvador que estimulam a vida social e consequentemente a paquera. 

Ah, o povo baiano é muito mais amigável que o niteroiense, talvez por aceitar a diversidade em geral. Na Bahia, ninguém é obrigado a ser rico, branco, religioso e gostar de futebol para receber afeto. Niteroienses em geral, assim como os cariocas de regiões próximas, costumam desejar uma sociedade mais homogênea, o que origina muitas manifestações de preconceito. Não é por acaso que o Rio de Janeiro é campeão no número de manifestações de bullying no Brasil.

Eu nem sei bem se Niterói deve pensar a respeito de criar um ambiente de paquera. Deixe como está. Ou tenhamos paciência e esperar os cariocas em geral se livrarem de seus defeitos de caráter. Esperar que os cariocas tenham uma mente um pouco mais aberta para aceitar diferenças e desejar uma sociedade mais heterogênea, que não molde a sua personalidade para se igualar à maioria.

sábado, 27 de maio de 2017

Criminalizar o "Funk" é tão ruim quanto transformá-lo em "Movimento Cultural"

Há um projeto de criminalização do "funk" sugerido por um xará meu - Marcelo Alonso, que é empresário, importante destacar isso - a ser proposto politicamente. Argumenta o tal empresário, que se assume um "pai de família" (conservador) de que transformá-lo em "crime" vai "salvar a juventude". O empresário demonstra uma imensa ignorância a muitos pontos ao fazer isso.

Duas coisas a dizer sobre o "funk": ele deve ser criticado, cima de tudo por sua ruindade. É um tipo de música de evidente falta de qualidade. É tosco, malfeito, repetitivo e suas letras, independente de que assunto falem, são bastante simplórias. Usar outro motivo para criticá-lo é desviar de foco. Outra coisa é que a apologia a violência e ao sexo é uma regra na música de hoje. Para isso é preciso entender o contexto social em que vivemos.

Hoje, grande maioria das pessoas, não somente os jovens, não se diverte para extrair prazer. Se diverte para "extrapolar", para satisfazer os instintos. É o que se chamam de CATARSE. Violência e sexo fazem parte do instinto animal que as pessoas ainda não aprenderam a dominar. E falar de violência e de sexo atrai muita gente e consequentemente muito dinheiro. Poesia e melodias caprichadas afastam um púbico cada vez menos racional e mais catártico e egocêntrico.

Sexo e violência fazem parte do hip hop americano e ninguém está empenhado em criminalizar o hip hop, que se tornou hegemônico nos EUA e Inglaterra. Até gente não ligada ao gênero como Taylor Swift e Ed Sheeran tiveram que aderir para sobreviver no mercado de entretenimento. Outra coisa: Jay Z e Kanye West enriqueceram graças a letras que mandavam brancos se foder e tratavam bundas femininas como se fossem comida e hoje eles são respeitados até por políticos americanos. Porque criminalizar o "funk" se ele é praticamente uma cópia do hip hop feito hoje nos EUA?

Violência e sexo são regra na música comercial atual

Falar de violência e de sexo é tão regra que se você perguntar para um roqueiro brasileiro qual a melhor banda da atualidade, você não ouvirá resposta diferente desta: Guns'n' Roses, uma medíocre banda que cumpre o perfil do roqueiro estereotipado: faz rock agressivo, canta que quer matar a namorada e é liderada por um delinquente famoso por destruir quartos de hotéis e tarado por loiras magrelas e peito siliconado. Quer catarse maior ao que coisas como o G'n'R e o "funk" podem oferecer?

E na boa, a criminalização do "funk" nada tem a ver com a catarse ou qualquer defeito inerente ao gênero. É na verdade um ato elitista de eliminação do povo pobre. Independente do "funk" ser ou não um aspecto legítimo do povo pobre, ele é estigmatizado como tal. A onda neoconservadora deu coragem às elites de assumirem seu ódio contra o pobres. Inventam motivos para não aparecerem malvados, mas é evidente o ódio elitista, mesmo quando se falam em "segurança" e "proteção aos valores da família".

O que incomoda o tal empresário, que certamente fala em nome da elite preconceituosa que ele representa, não é a ruindade do "funk", mas a associação do gênero ao tipo de povo que ele quer eliminar de sua frente. Nisso ele concorda com as esquerdas: que o "funk" representa a essência do povo pobre, o que é uma farsa inventada pelos grupos patrocinados por George Soros, um especulados financeiro, direitista convicto, que se infiltrou nas esquerdas para destruí-las.

A bronca do tal empresário é claramente elitista. Porque ele não criminaliza outros gêneros musicais que também fazem apologia a violência e sexo? Porque ele não condena, por exemplo, os movimentos de direita brasileiros que fazem clara apologia a violência?

Quer exemplos? Bolsonaro, candidato da "família" brasileira, disse que "violência se resolve com violência" e Aécio, candidato dos empresários, tem suspeitas relações estranhas com traficantes, estes também ligados à violência. Sobre sexo, é sabido que os guardiões da 'família" brasileira escolhem suas esposas por causa de sexo. Ou há outro motivo para escolher uma mulher que tenha um corpo bonito?

"Funk" não é crime nem movimento cultural. É pura diversão. Nada além disso

Na verdade, o "funk" não é nem crime, nem "movimento cultural". Enquanto as elites tentam dizer que o "funk " é pior do que realmente é, a esquerda tenta dizer que é melhor do que realmente é. "Funk" não é nem uma coisa, nem outra. 

"Funk" não passa de um tipo de música comercial, sem pretensões intelectuais que servem apenas para o puro entretenimento. Uma diversão para quem ouve e um meio de sustento financeiro para quem produz e para quem canta. Nunca foi ativismo social e muito menos um ato criminoso. É um tipo de música com qualidade duvidosa e nada mais. É desta forma que o "funk" deve ser tratado: um tipo de música ruim que gera muito dinheiro. 

Quando a sociedade for melhor educada, vai se interessar por um tipo de cultura que seja realmente bom, se esquecendo desta tosqueira que só serve para isolar a periferia, transformando em motivo de chacota e de ódio entre a elite que é tão burra quanto os fãs de "funk" que os elitistas fingem criticar.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Por representar uma atitude e não uma "tribo", "Dia do Nerd" passa despercebido

Foi um fiasco o chamado "Dia do Orgulho Nerd", também conhecido como "Dia da Toalha" ou bobagens do tipo. Originalmente criado para homenagear uma tribo social, a data perdeu o sentido quando o conceito atribuído a esta tribo  mudou a ponto de permitir que qualquer um se encaixe no rótulo, com base em critérios superficiais.

O rótulo "nerd" passou a definir uma tribo heterogênea sem identidade própria e que manifesta interesses que podem ser de qualquer um. O que era uma tribo formada por excluídos sociais, marcados pela inteligência evidente, foi reduzida a qualquer um que demonstre um interesse maior por estórias em quadrinhos e por tecnologia. Basta um fortão socialmente ativo se vestir de Capitão América e ficar no computador por mais de 6 horas para ser considerado nerd.

Isso fez o rótulo perder o sentido. Não define mais uma tribo e sim um comportamento, uma circunstância. Todo mundo tem a sua fase "nerd". Não precisa mais ser desengonçado e ter um ato grau de miopia para receber o rótulo. Por ser uma coisa circunstancial, não define mais um grupo de pessoas e sim uma atitude que qualquer pessoa pode ter. O que inviabiliza a comemoração pela data.

Afinal, se a data foi criada para celebrar o orgulho de uma tribo, como comemorá-la, se ser nerd não é mais prerrogativa de uma tribo e sim um tipo de comportamento? Pois pelo que entendo, a nova definição de nerd é "gostar mais de quadrinhos e de tecnologia". Isso qualquer um pode fazer, independente de raça, credo, orientação sexual, orientação política e até situação social. 

Aliás do jeito que a tecnologia interfere em nossas vidas, acho que todo mundo passou a ter seu momento "nerd". Como rótulo de uma tribo, a palavra perdeu o sentido. Por isso que a comemoração foi um fracasso. Não havia um diferencial que pudesse ser utilizado como motivo de comemoração. Afinal, se todos somos nerds e a tecnologia virou rotina, como comemorar uma data que evoca um orgulho que é de todos?

Acredito que com o tempo, o "Dia do Orgulho Nerd" caia no esquecimento. Ou talvez se converta em Dia do Orgulho pelos Quadrinhos e pela Tecnologia. Ou talvez, Dia do Orgulho de ser Humano. Talvez este nome faça ainda mais sentido.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Malditos remédios contra ansiedade!

Recentemente perdemos um dos roqueiros mais conhecidos dos anos 90, Chris Cornell, líder e vocalista da banda americana Soundgarden. Apesar de oriundo do movimento grunge (de Seattle, noroeste dos EUA), marcado pela depressão, por apologias ao auto-ódio e com vários mártires com suas mortes originadas de uma forma ou de outra por causa da depressão, o falecimento de Cornell é bem peculiar e nada tem de deprimente.

Cornell morreu por causa de um provável consumo exagerado - provavelmente involuntário - de um remédio contra a ansiedade, o Ativan (conhecido no Brasil como Lorazepam) que ele tomava sob controle. Entre os efeitos colaterais do remédio está a fala arrastada e o desejo de se matar. Eu nunca tomei remédios desse tipo, mas conheci pessoalmente várias pessoas que consumiram, inclusive no meu círculo social mais próximo.

Os noticiários confirmaram que Cornell morreu por suicídio. Relatos de sua esposas dizem que ele vivia feliz, com sucesso profissional e particular. Era um marido exemplar e estava cada vez mais próximo dos filhos.

Não havia motivo para ele encerrar a vida. Mas um dia, segundo a esposa, ele chegou com a fala arrastada, falando coisas sem pé nem cabeça e com repentino desejo de se matar. Acabou se enforcando tempos depois. Li a bula do tal de Lorazepam. A inclusão dos sintomas confirma o fato.

Remédio semelhante tirou o XTC dos palcos

Por ser um remédio contra a ansiedade, me lembrei de um caso envolvendo remédio similar, o Valium (no Brasil, Diazepam) e justamente com a banda que tenho ouvido muito ultimamente: a XTC, banda inglesa surgida na cidade de Swindon, na figura de seu líder, Andy Partridge.

Por causa de um diagnóstico de hiperatividade na adolescência, Partridge tomava, também de forma controlada, o Valium. Depois de 13 anos de consumo, ele acabou se viciando no remédio, que estimula a dependência química. Era nítido o olhar agressivo de Partridge nos primeiros video-clipes da banda. Decidiu largar. Mas o período antes da abstinência foi penoso.

Se tornou uma pessoa irritada, com lapsos de memória - uma vez ele esqueceu quem era ele mesmo - , ataques de pânico e problemas no organismo. na turnê do álbum English Settlement (o melhor álbum da banda na minha opinião), em 1982, largou o show no meio, se dirigiu cambaleando para os bastidores e lá desmaiou ficando em posição fetal no chão. Abaixo a imagem do momento em que larga a apresentação, sem mostrar o desmaio que aconteceu m seguida.

Após o episódio, a banda conseguiu, às duras enas a concluir a turnê. Mas após esta, decidiram encerrar as apresentações ao vivo, se dedicando apenas a gravações em em estúdio.A gravadora Virgin EMI Records não gostou, mas acabou concordando.

Após a decisão, Partridge conseguiu se controlar, perdeu os sintomas nocivos e criou um desejo de se relaxar, se tornando uma pessoa mais madura e tranquila. Em entrevista após o fim da banda, dada em 2012, disse: "Eu realmente acreditava que eu ia morrer, era tão ruim assim. Eu só tinha que sair do palco. E isso foi o fim para mim e para a turnê. Eu simplesmente não podia mais fazer isso. ".

Do contrario que o americano Cornell, o inglês Partridge acabou não morrendo, mas teve que mudar radicalmente de vida e hoje se sente menos ansioso, apesar de estar longe do famoso remédio contra ansiedade. Ou seja, não precisava de remédio para deixar de ser ansioso, o que teria evitado tando estrago na personalidade.

Como remédios para ansiedade fazem estragos.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Não há motivos para se comemorar o Dia do Nerd


Anos atrás poderia ser que eu fosse visto comemorando o 25 de maio de forma alegre. Afinal, era o Dia do Nerd e então eu me considerava nerd. Pelo menos no conceito que a palavra "nerd" tinha na época. Hoje eu não me considero nerd. Não, eu não mudei de personalidade. A palavra é que mudou de sentido.

Quem assistiu ao filme A Vingança dos Nerds, de 1984, tinha um conceito para a palavra nerd muito diferente do atual. Originalmente, a palavra tinha sentido pejorativo e era utilizada por bullies para ofender aqueles que não se encaixavam no perfil socialmente aceito pela maioria das pessoas.

Origens do termo

Não sei exatamente o porque do uso desta palavra em um passado remoto. Segundo o Wikipedia em inglês (curioso que em português, o mesmo verbete aparece com texto completamente diferente, o que sugere que a definição nova para "nerd" é brasileira), o termo vem de Knurd, bêbado ao contrário, ou seja, os "certinhos" que preferiam estudar do que encher a cara. Apareceram variações como Gnurd e Nurd. Outra hipótese é que é uma alteração de Nert, palavra hoje em desuso que significa "estúpido".

O termo era originalmente pejorativo e nada tinha a ver com o significado atual, que é "viciado em tecnologia e quadrinhos". Pelo significado atual, qualquer pessoa pode ser um nerd, desde que seu interesse por tecnologia e quadrinhos seja um tanto militante. Mas antigamente, o termo era dado aqueles que não se encaixavam nos perfis de normalidade entendidos pela sociedade.

Antigamente, os nerds eram rejeitados pela sociedade. Se vestiam mal, eram desengonçados, fora de forma e excessivamente tímidos. Eram muito inteligentes, mas possuíam baixíssima auto-estima. O interesse por tecnologia e quadrinhos, hoje a sua principal marca, surgiu graças a dificuldade de sociabilização. Se interessar por computadores e por histórias em quadrinhos compensavam a solidão. Máquinas e heróis fictícios serviam como verdadeiros amigos.

Com o tempo, pessoas comas mesmas características, vítimas de humilhação e exclusão social, perceberam que recebiam a mesma palavra como xingamento e transformaram o rótulo "nerd" como uma bandeira pelo direito à inclusão social. Os nerds passaram a se considerar uma "tribo" urbana com características próprias e o orgulho nerd passou a ser uma bandeira de auto-aceitação.

A mudança do conceito

Só que nos anos 2000, pelo fato de serem bastante íntimos da tecnologia, sua imagem pejorativa foi desaparecendo. A tecnologia transformou-os em autoridades e com isso passaram a ser observados por outras pessoas. Ser nerd passou a ser uma coisa boa, pois como a tecnologia passou a dominar, as pessoas teriam que recorrer a especialistas - logo os nerds - para entender melhor o funcionamento das novas máquinas.

O conceito mudou tanto que pessoas n;ao tão desengonçadas e nem fora de forma passaram a invadir a "tribo", achando que colocar um óculos e uma camisa xadrez, somado ao interesse pela tecnologia, fosse o suficiente para se tornar um "nerd". Rapidamente, o conceito antigo de "boboca excluído" foi desaparecendo até hoje sumir por completo. 

Quem assiste hoje ao filme Vingança dos Nerds, pensa que o filme é uma sacanagem e não a descrição de uma tribo. Para muitos, o Guia dos Mochileiros das Galáxias, ou comédias neo-machistas como Se Beber, Não Case ou Gente Grande, descreve melhor o novo conceito da palavra "nerd". É errado, mas muita gente entende a cultura nerd desta forma.

O conceito da palavra mudou tanto que os antigos nerds agora procuram outros rótulos para se definir. Embora existam palavras para viciados em tecnologia como geek e hacker (a primeira é usada como sinônimo de nerd e a segunda para definir terrorista digital, outrora rotulado de cracker), a aliança entre a palavra nerd e tecnologia foi inevitável.

Excluídos sociais a procura de outro rótulo

Os nerds de outrora preferem hoje se auto-rotular de Losers ou palavras parecidas. Filmes estudantis já usam termos como Duffs e Outcasts com o antigo sentido que a palavra nerd tinha. O novo sentido dado a palavra Nerd atraiu muita gente bonita, atlética e não-desengonçada para a "tribo", descaracterizando e obrigando a mudar de sentido.

Por isso que no próximo dia 25, vou tratar como uma data comum, que nada tem a ver comigo. É o dia dedicado ao Orgulho Nerd, mas como a palavra mudou de sentido, ela não me define mais. Os desengonçados, tímidos e fora de forma que são alvo de humilhações não podem se sentir homenageados da mesma forma que atletas bonitões entusiastas de tecnologia. 

Se atletas bonitões, socialmente ativos, podem ser considerados nerds, então eu não sou nerd. Sou outra coisa. O dia 25 de maio não é para mim.

domingo, 21 de maio de 2017

Nomes da música comercial como jurados de reality musical, deixam claras as intenções mercantis

Muita gente inocente enxerga esses realities musicais (que não passam de shows de calouros modernos) como uma renovação da arte. Só que vivemos em uma época onde a arte ficou reduzida a meios alternativos, desconhecidos do grande público. Mesmo o que o grande público pensa ser alternativo, não é de fato, pois o verdadeiro alternativo não lhe chega aos seus olhos e ouvidos.

Portanto vivemos numa ditadura da música de mercado. Se o grande empresariado resolveu se intrometer em tudo, da vida afetiva ao sistema de transporte, da religião à política, é lógico que iria se intrometer no entretenimento, principalmente na música.

Esqueça a crença que realities musicais servem para renovar a arte e a cultura. Pode ser que seja a intenção de um participante ou outro menos mercenário. Mas não é a intenção de quem idealiza ou produz programas desse tipo. A ideia é renovar o hit-parade, a parada de sucessos e criar novas galinhas dos ovos de ouro que encham os cofres de gravadoras e produtoras musicais.

Uma coisa a observar é a presença de cantores de musica comercial como jurados ou treinadores nesses programas. Não há críticos musicais ou especialistas que pudessem focar a parte artística. Outra coisa são os critérios de avaliação, que seguem regras do mercado e não da arte. A intenção de gerar um produto musical ao invés de um artista é mais do que evidente.

Como eu disse, depende de uma ou outra exceção para sair algo realmente artístico de programas desse tipo. Mas é uma raridade. A própria narrativa da vida particular de cada candidato deixa claro que os concorrentes enxergam a música como um emprego, uma oportunidade profissional e não uma renovação da arte ou uma forma de se comunicar com o público.

Por isso que não levo a sério realites musicais. Eles não servem para melhorar a cultura. Servem apenas para gerar mais dinheiro a todos os envolvidos, às custas de algumas melodias. E só. 

terça-feira, 16 de maio de 2017

Renaissance, um dos maiores nomes do progressivo, fará turné pelo país e começa por Niterói

Eu gosto bastante de rock progressivo. Adoro mesmo. Quando quero me relaxar de noite é ao som de álbuns inteiros de rock progressivo disponíveis no YouTube, "viajando" em cidades pelo Google Street View. Quem tacha o gênero de chato é porque não tem a sensibilidade necessária para absorver as belezas exclusivamente oferecidas pelo gênero.

Rock progressivo nunca foi muito popular no Brasil, embora tenha público bem fiel. Quem gosta de rock progressivo gosta mesmo (não por moda, pois o gênero é complexo demais para ouvidos menos sensíveis) e ouve suas músicas com detalhada atenção.

É curioso ver que uma banda progressiva continue em atividade, criando novas canções e fazendo turnês gigantescas. Muita gente pensa que isso é uma prerrogativa do Pink Floyd, com certeza a mais popular do gênero. A Renaissance, uma das poucas lideradas por uma mulher, Annie Haslam, e famoso pelo maravilhoso álbum Ashes are Burning, de 1973, resolveu se arriscar em uma época onde a mediocridade domina na música que toca nos rádios e que enche estádios. 

Fazer turné no Brasil é ainda mais arriscado, pois o povo brasileiro é tradicionalmente avesso a complexidades e sente uma certa tara por modismos. Uma turné de uma banda de rock progressivo é arriscada, mas deve atrair os fãs do gênero que mesmo não sendo uma maioria, existem em grande quantidade.

Ligação da banda com o Brasil

O que pode favorecer o Renaissance no Brasil é a amizade que os integrantes conseguiram com membros do Clube da Esquina, movimento mineiro de MPB que absorveu muita influência do rock progressivo. Quem ouvir No God's a Man da banda Gentle Giant (uma das minha favoritas no gênero, junto com o Soft Machine do gênio Robert Wyatt e o famosíssimo Pink Floyd), vai sentir o cheiro mineiro de flor presente na canção da banda inglesa influenciada por musica barroca. Impossível ouvir hoje No God's a Man sem se lembrar de Beto Guedes e Lô Borges.

Em outras vindas ao Brasil - o Renaissance não encerrou atividades, apenas fazendo pausas - integrantes (incluindo um que resolveu morar no Brasil) acabaram entrando em contato com vários membros do movimento mineiro, principalmente Flávio Venturini, com experiência na banda progressiva O Terço, que chegou a gravar com Haslam em trabalho solo dela. Bom lembrar que Haslam é dona de uma das mais belas vozes femininas da música em geral. Fato curioso no rock progressivo, um gênero com poucas mulheres envolvidas, como Kate Bush e a vocalista de uma banda desconhecida que eu ouvi que não me lembro o nome, além de outras menos famosas.

A turné começa no Teatro Municipal de Niterói, cidade onde eu resido e segue por várias cidades pelo país. Eu não poderei ver a apresentação da banda por causa do preço salgado (o mais barato é 220  e estou em dificuldades financeiras). Os ingressos de Niterói são estranhamente os mais caros da turné (há cidades em outros estados onde a apresentação custará 90 reais), talvez pela pela fama de ser a cidade com o maior número de ricos por m³ (o que justifica o altíssimo custo de vida na cidade, um dos motivos de minha crise financeira pessoal) do que pelo interesse pelo gênero, bastante impopular por aqui. Rock, seja de qual sub-gênero for, anda em baixa em Niterói.

Mesmo assim fico feliz em saber que a banda continua, que fará turné no Brasil e começando na cidade onde eu vivo. mesmo que a popularidade do rock progressivo seja proporcionalmente oposta a sua inquestionável qualidade musical.

domingo, 14 de maio de 2017

McKayla Maroney se inspira nas musas vulgares brasileiras e coloca silicone nas nádegas

A ginasta Mckayla Maroney ficou conhecida com aquela cara de meia boca ao receber uma nota considerada baixa em um julgamento de sua atuação. Divertida nas redes sociais, levou na esportiva a fama da expressão facial e tem se tornado um sucesso nas redes sociais tanto pela beleza como pela simpatia.

Mas ontem, uma coisa aconteceu que me deixou meio encafifado sobre a sua imagem. Visitando um site que faz piada com celebridades eu vi uma animação gif que mostra a ginasta, usando uma camiseta com referências ao Brasil, com um corpo meio desproporcional, com um traseiro estranho parecido com as musas mais vulgares de que se tem notícia. Achei que era montagem, pois o tal site costuma publicar fakes.

Mas visitando outro site, acabei indo ao Instagram oficial de Maroney. Oh, Shit! Não era montagem! Era a própria Mckayla Maroney! A garota mudou! Até o rosto está meio estranho. O corpo dela sempre foi muito bonito (em parte graças a ginástica, o que é admirável). Mas na ânsia de entrar na moda e satisfazer as taras alheias, alterou e, embora muitos tenham gostado (apesar dos elogios serem quase sempre mal intencionados, coisa típica dos admiradores de siliconadas), o resultado não ficou bom. Ela ficou parecendo bombada, uma boneca feita de plástico. Esquisita. Não gostei.

As pessoas não estão mais satisfeitas com a própria aparência. Tenho visto pessoas naturalmente bonitas que estragam seus corpos com plásticas, tatuagens, piercings e outros tipos de alterações  para se adequarem a padrões exigidos pela mídia ou por outras pessoas de mentalidade menos realista.

Essas pessoas que alteram seus corpos transmitem uma falsa imagem de cuidado com a aparência, mas se fizermos uma análise psicológica nestas pessoas, vamos perceber que a auto-estima delas é bem baixa e a insatisfação com os corpos comprova um desejo desesperado de ser admirado. 

Operações plásticas existem para corrigir falhas, não para adequar corpos a padrões. Tudo bem se uma mulher sem seios coloque silicone para recuperar a auto-estima de possuir seios. Mas outra coisa é uma mulher aumentar os seios por exigência social de um bando de malucos sedentos por uma sociedade padronizada. Aliás, padronização nunca é bom. A diversidade é algo admirável, mas que a mídia e o senso comum tentam discretamente exorcizar. 

Fico perguntando se as mulheres gostariam mais de mim se eu tascasse silicone em meus braços e em meu tronco para parecer mais musculoso. Certamente seria bem estranho. Prefiro continuar como estou e esperar que alguém se interesse pelo que eu naturalmente tenho a oferecer. mesmo que eu passe a vida toda esperando. Se aparecer alguém a fim de mim, eu terei a certeza que é por mim mesmo que eu estarei sendo admirado e não por artifícios.

Ainda prefiro a beleza natural, por mais feia que ela pareça diante dos olhos de muita gente.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Em nome da sobrevivência, brasileiros revogam sua vocação para a diversidade

Em nome da sobrevivência e da satisfação de instintos vale tudo. Vivemos em um tempo sem ética, sem compromisso com a integridade. Todos gostam de se dizer íntegros, diferenciados, com personalidade, mas sabe que imitar a maioria favorece muito a vida social e a aquisição dos benefícios que dependam da vontade alheia para serem adquiridos.

Por isso que existe o pensamento único, o senso comum que define o que é certo e o que e errado. Mas nem sempre o conceito de certo e errado tem realmente a ver com ser certo e errado. Não raramente, errar é o correto e ser correto é errado. Depende do contexto e dos interesses de quem classifica algo como certo e errado.

Errado é o que vai contra os interesses "da maioria" que na verdade são interesses das maiores lideranças do país. E como ninguém quer ficar no meio do caminho, o jeito é se unir aos forte, não para ser um forte, mas pelo menos garantir a proteção dada pelo forte. E maiorias fazem justamente o que os fortes querem que seja feito.

Se iludem os que acham que as regras sociais nada tem a ver com o poderio dos grandes capitalistas. Até o jeito que muitos esquerdistas se divertem (futebol, bebidas alcoólicas, música cafona, etc.) está totalmente de acordo com o pensamento imposto pelos donos das grandes corporações, patrocinadores da mídia oficial, composta também por grandes corporações.

Vocação para a diversidade recusada pelos próprios brasileiros

Interessante que o Brasil é um país com vocação para a diversidade. Mas parece que os brasileiros tem vergonha desta vocação. Ser igual é legal. Com base no instinto de manada, em que seguir a maioria é uma forma de garantir a sobrevivência, brasileiros criam um senso comum que possa ser homogêneo, revogando a vocacional tendência a diversidade.

A diversidade provoca discordância em uma sociedade que não está preparada para ela. É muito mais tranquilo esperar algo de uma sociedade homogênea. Uma sociedade onde todos pensam igual é mais previsível. mesmo que ofereça perigo, você já sabe como vai encarar. Nada é surpresa, tudo é esperado. Por isso que uma sociedade que age e pensa igual é mais cômoda. 

A mídia oficial, porta-voz das grandes corporações tem esta finalidade. Ela é a reguladora social e construtora do senso comum. Mesmo quem é contra a mídia sem perceber se rende ao seu propósito. Não pense que encher os lugares de aparelhos de televisão tenha a intenção de distrair as massas. A caixinha de fazer doido está lá para fazer doidos. É o hipnotizador sagrado a impedir que a pessoa use seu tempo livre para pensar e desenvolver uma personalidade que ameace a homogenia.

Ética e noções de bondade sendo distorcidos em nome da homogeneização social

Criar um falso consenso é muito mais fácil do que construir uma sociedade que consiga entender as diferenças. Por isso que os preconceitos crescem. Por isso que casos de bullying se tornam mais comuns. Gente matando outra porque esta é diferente. 

Estereótipos substituindo a análise fria e objetiva que deveria definir alguém como bom ou mau. Pior: o mal intencionado que age como a maioria sendo socialmente aceito enquanto aquele cara legal que poderia favorecer todos é rejeitado porque não se dispõe a se divertir como a maioria. A favor de homogenizar a sociedade e torná-la previsivelmente segura, vale até abrir mão de conceitos tradicionais de "bondade" e de "maldade". Até porque uma maldade previsível é mais fácil de combater enquanto uma bondade imprevisível pode incomodar quem não a espera.

Aderir ao pensamento único não é tarefa fácil, mas há quem consegue. Pessoas que detestam o sabor da cerveja, mas bebem para não ficar sozinhas. Pessoas que se entendiam com futebol mas tem que assumir publicamente a torcida por um time ou pela "seleção" para serem socialmente aceitas. Gente que acha absurdo o universo ser governado por uma pessoa que só vive escondida, mas que tem que seguir uma religião para não ser mal visto. E os que odeiam música brega tendo que contorcer seu corpo diante deste tipo de música para poder conquistar as mulheres? Isso sim é que é "sofrência"!

Enfim, em nome da sociabilização, vale abrir mão de prazer da personalidade e até mesmo da ética para aderir ao pensamento único que garante a tranquilidade social. Ainda estamos nos primórdios da humanidade e o nosso foco é na dura luta pela sobrevivência, com regras impostas pelos mais gananciosos líderes de corporações. Enquanto ainda estivermos presos a instintos, como animais, será esta a nossa condição e não raramente temos que fazer coisas desagradáveis se quisermos continuar vivos neste planeta ainda tao atrasado.

terça-feira, 9 de maio de 2017

Globo e Temer, tudo a ver

A programação matinal do dia 08 de maio estava cheio de mensagens subliminares em prol do Governo Temer. Sabe-se que não somente pelo fato do governo Temer ter pago imensas quantias de dinheiro a emissoras para elogiar a sua gestão como há uma afinidade ideológica entre o que está sendo feito por este governo e os donos das emissoras e as empresas que as patrocinam. Afinidade ideológica que sempre esteve do lado oposto da grande maioria da população.

Mas quem assistiu atentamente aos três principais programas da Rede Globo na citada data, pois não há lugar público em que não haja uma televisão ligada na emissora, percebeu que houve três discretas referências a medidas tomadas pelo governo Temer e a inevitável crise gerada por elas.

Mais Você e os velhinhos "dispostos a trabalhar"

O programa Mais Você (hoje escrito de forma a parecer "jovem e moderna", através do internetês "+vc") mostrou uma reportagem sobre os idosos que ainda encontram disposição para trabalhar. Obviamente em trabalhos desprestigiados (um office-boy e outro taxista), mas segundo a reportagem, aparentemente estavam felizes no bico, encarado como se fosse uma "profissão".

Quem assistiu a matéria percebeu que era uma sutil campanha de apoio ao fim da aposentadoria pública proposto pelo governo Temer para favorecer as empresas privadas de previdência, controladas pelos maiores bancos do país. Quem quiser se aposentar, ou paga a previdência privada ou segue as regras impostas para a previdência pública, meio complicadas para serem seguidas, estimulando a desistência da aposentadoria.

A matéria teve a secreta intenção de mostrar "como é bom" desistir da aposentadoria e continuar trabalhando em elevada idade, mesmo que o trabalho - geralmente desgastante, pois empregos menos cansativos tem prestígio e não costumam ser oferecidos a idosos - afete de forma danosa a saúde física no frágil organismo do cidadão idoso.

Comendo as sobras no Bem Estar

No Bem Estar, teve uma matéria interessante que até gostei, pois gosto de aproveitar bem os alimentos. Como aproveitar as cascas de frutas e legumes. Uma ideia boa que nos revela que jogamos fora muitas proteínas valiosas, presentes nas cascas que descartamos.

Apesar da excelente ideia, é impossível não se lembrar da crise que pode fazer com que na somente alimentos se escasseiem, como também fate dinheiro para comprar alimentos. O proposto retorno - disfarçado - da escravidão (vejam só!), pode diminuir a produção agrícola, por desestimulo ao trabalho e escassez de salário para comprar os alimentos. O aproveitamento das cascas seria uma forma de fazer os alimentos durarem um pouco mais no período de escassez.

Encontro com a meritocracia

Em seguida, o programa Encontro com Fátima Bernardes, talk show apresentado pela bela jornalista, fez uma discreta apologia a alucinada tese frequentemente defendida por conservadores conhecida como Meritocracia. Embora o nome desta tese não tenha sido mencionado no programa.

Trocando em miúdos, esta tese se baseia na ideia de que o caminho para a vitória na carreira profissional, se não é fácil, é garantido, bastando para isso cumprir as obrigações de uma rotina de trabalho. Quem conhece os mínimos detalhes da rotina de trabalho sabe que isso é quase impossível. Até porque os privilégios são tradicionalmente exclusivos de um grupo de famílias abastadas e os poucos que elas elegem para subir na vida. 

E alguns desse poucos estiveram no programa para falar sobre a meritocracia: um surfista conhecido como "Mineirinho" e um violinista brasileiro de origem pobre escolhido entre mais de cinco mil para ticar em uma orquestra em Nova York.

Mineirinho quase não falou sobre surfe. Se limitou a falar aqueles clichês de como vencer na vida, blá, blá, blá. nada que realmente estimulasse quem está com dificuldades na vida a superá-las. Clichês que só fariam sentido se você tivesse um pistolão acima de você para lhe dar apoio e impulsionar a subida na carreira. Ninguém vence sozinho, do contrário que conservadores pensam.

O violinista repetiu feito papagaio os mesmos clichês, mas adaptando ao seu caso pessoal. Mas pelo menos tocou alguma música. Também estiveram no recinto um grupo de atrizes desconhecidas contratadas para protagonizar a nova temporada da novelinha teen Malhação. Interessante em ver novatos na Globo em tempos de conservadorismo explícito, pois novatos são mais vulneráveis, tendendo a concordar com os preconceitos da emissora por razões de sobrevivência financeira. Elas repetiram os clichês usando exemplos pessoais.

Meritocracia e as medidas duras do Governo Temer

A meritocracia tem muito a ver com o apoio a Governo Temer, pois a ideia de sofrer bastante para supostamente sair vencedor no final é algo que tem a ver com uma rotina dura, exigida pelas classes dominantes (submissas ao invisível Deus-Mercado, "ditador" das regras supostamente inevitáveis). As medidas de Temer prometem agravar este sofrimento na rotina profissional.

Lembrando que estas classes dominantes, que estabelecem as "inevitáveis" regras do mercado, são tradicionalmente gananciosas e empenhadas em criar um funil profissional onde só passa quem elas querem que passe, de preferência quem concorde com a injustas regras do jogo, coerentes com um mundo que insiste em viver apenas na base da satisfação de instintos. 

Estamos cada vez menos humanos e cada dia que passa ficou mais legítimo fazer os outros se ferrarem para nos darmos bem. Meritocracia é a legitimação da ganância. Foi se o tempo em que ser ganancioso era considerado errado.

Com estes três exemplos, é mais que confirmado o que sempre sabíamos: Que o Governo Temer está muito bem sintonizado com a Globo e vice-versa. Globo e Temer, udo a ver.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Giro pelo Planeta, 08/05/2017


Início de semana, vamos ler um pouco para nos atualizarmos um pouco e criarmos assunto para conversas com colegas no trabalho? Não faltam assuntos! Então, vamos a eles!

1. Frei Betto alerta para a volta da escravidão no Brasil. Um retrocesso de séculos. Link

2. Álbum da vez: White Music, primeiro álbum da banda inglesa de new wave alternativo XTC, cujas músicas, seja de que álbum for, eu não consigo parar de ouvir. Link

3. Conservadores usam a trágica brincadeira da "Baleia Azul" para tentar censurar internet, único meio de comunicação com fluxo pleno de ideias progressistas. Link

4. Jesse de Souza, um dos maiores intelectuais da atualidade, alerta sobre a luta de classes. Link

5. A morte de Belchior e os estereótipos ligados ao mito do "Maluco Beleza". Link

6. O único defeito de Brec Bassinger, principal aniversariante deste mês, é ser diabética. Duvida? Olhe estas fotos! Link

7. Democracia: tempos tardios para todo e qualquer maniqueísmo. Link

8. Derrotados na reputação, tucanos pretendem se reinventar. Para quê? Link

9. Esta semana teremos depoimento de Lula, que pode cair em arapuca e ser preso sem motivos. Voltamos aos tempos de prisão puramente política. Link

10. Amandla Stenberg, atriz e ativista, lindíssima de vermelho e de cabelinho curto. Uma prova que mulher linda pode ser inteligente e mulher inteligente pode ser linda. Link

11. Receita da semana: vocês sabiam que existe feijoada de frango? Pois é. Aprendam como fazer. Link

12. Lugares que você precisa conhecer: a simpática Itaperuna, no interior do estado do Rio de Janeiro. Link

13. Não é somente o Brasil que está sendo desmontado. A Música Popular Brasileira também. O envelhecimento e a morte de grandes mestres contribui para o desmonte aficar ainda pior. Link

14. Sem o talento de Silvio Santos, o insosso Luciano Huck, assim como Justus, seu assemelhado, acha que qualquer empresário pode virar apresentador de TV. Link

15. Enquanto Eduardo Cunha e Aécio Neves causaram o Golpe, Temer "governa  o Golpe e Gilmar Mendes e e Sérgio Moro lutam para preservar o Golpe. Link

16. A França, pelo jeito, se livrou de ter uma fascista no poder. Link

17. Musa da Semana: Lily Collins, a filha do batera do Genesis, toda gracinha em uma entrevista. Link

18. Túnel que liga o bairro de São Francisco a Região Oceânica de Niterói é inaugurado. Link

19. Os maiores mistérios fotográficos do mundo. Link

20. Mais uma imagem do primeiro refrigerado na frota urbana da Amparo, principal emoresa da cidade de Maricá/RJ. Link

sexta-feira, 5 de maio de 2017

6 séries que não deveriam ter sido canceladas e 4 séries que duraram demais, arrastando sem ter o que dizer

No mundo capitalista, o que interessa é o lucro. Para patrocinadores, boas ideias não significam boas tramas, estórias criativas e equipe talentosa. Boas ideias significam lucro, mesmo que essas boas ideias não passem de lixo puro. O que é observado na música, caracterizado pela hiper-valorização de verdadeiros lixos sonoros, diante do descarte de verdadeiras obras primas, também acontece nos outros setores do entretenimento.

Listo aqui uma lista de 10 séries onde as 6 primeiras foram pequenas obras primas que mereciam durar mais e que foram canceladas por motivos exclusivamente econômicos e as 4 seguintes foram verdadeiros poços de ensebamento que duraram enquanto haviam incautos não muito exigentes a aguentarem diante da telinha (ou quando era interesse de patrocinadores).

A lista segue critério de gosto, sim. Mas acrescentei um pouco de noção técnica, mesmo um pouco leiga, para analisar a viabilidade das obras de durar ou não. Mesmo que alguém não concorde por gosto, quem for mais objetivo vai acabar concordando com a lista. Vamos a ela:

SÉRIES QUE NÃO DEVERIAM TER SIDO CANCELADAS:

The Carrie Diaries

Protagonizado pela lindíssima Annasophia Robb, de quem sou fã, a ideia era fazer um spin-off de Sex and The City, do tipo reboot, que conta o que aconteceu antes. O seriado era ainda melhor do que o seu gerador e mostrava, com boas atuações, linguagem ágil e muito humor, o mundo dos anos 80 com excelente fidelidade. Foi cancelado na segunda temporada, quando começava a aparecer os elementos que marcariam Sex and The City. Robb atualmente atua um seriado que se passa nos primórdios da história estadunidense, Mercy Street.

Forever

Protagonizado pelo galã de nome estranho, Ioan Gruffudd, conhecido por interpretar o homem elástico na versão para o cinema de Fantastic Four, fazia a referência a lenda do Highlander, a do homem que nunca morre e por isso vira a testemunha de fatos importantes durante muitos séculos. A trama que conta a estória do médico legista que nunca morre renderia inúmeras estórias, sendo uma base boa para vasta criatividade, com episódios bastante movimentados e prendedores de atenção. Uma pena ter acabado.

Tru Calling

Para mim uma das séries mais criativas e com grandes possibilidades de virar cult. Funcionária de necrotério, interpretada pela bela Eliza Dushku, tem o poder de mudar o destino, com base nas estórias que envolvem os cadáveres que são examinados em seu necrotério e que gritavam por socorro por uns segundos. Era uma série que dava oportunidade para estórias movimentadas e que prendiam a atenção.

A entrada de Jason Priestley, conhecido de 90210 (e do filme brasileiro Zoom), como o antagonista com mesmos poderes de True, daria maior movimentação à série. Infelizmente a série acabou justamente quando a sua trama iria melhorar, numa prova de que investidores não querem boas séries e sim dinheiro na conta.

Grosse Pointe

Para mim, uma das melhores série que eu já vi. Conta os bastidores de uma série, filmada na cidade que dá o nome a série, num claro exemplo de metalinguagem. A protagonista foi interpretada, com excelente atuação, pela sub-estimada Irene Molloy, para mim, uma das mulheres mais lindas que eu já vi, hoje casada, com filho e seguindo carreira como cantora de folk alternativo.

Outros do elenco acabaram tendo algum destaque. O ator que interpretou o contra-regra Kyle Howard passaria a ser conhecido pelo filme Minha Vida Noutra Vida e por ter namorado a atriz Lauren Conrad, de The Hills, série da MTV. Lindsay Sloane, conhecida por participação em séries e filmes famosos também estava no elenco. Porém a atriz mais conhecida do seriado, com fama em trabalhos posteriores, é Bonnie Sommerville.

A série só durou uma temporada, mesmo com trama interessante, estilo de humor único e boas atuações. Todos os atores não viraram celebridades, seguindo discretamente suas carreiras.

Ghost Whisperer

Um seriado que trata a espiritualidade sem a pieguice religiosa que é estigmatizada, sobretudo no Brasil. Conta estória de uma vendedora com poderes paranormais, interpretada pela deusa Jennifer Love Hewitt (uma das mulheres mais desejadas do mundo) que tinha o poder de conversar com espíritos, que a pediam para ajudá-los em problemas envolvendo amigos e parentes vivos. Isso lembra um pouco Tru Calling, que mencionei antes.

Boas atuações e uma trama que estimulava constante desenvolvimento criativo - um episódio era totalmente diferente do outro - garantiam o sucesso da série que infelizmente só durou até a quinta temporada, que não foi completada. Houve rumores de que a ABC queria retomar o seriado após o seu cancelamento, mas isso foi desmentido.

SOS Emergência

Tinha tudo para ser uma das melhores séries brasileiras, a primeira e única série cômica sobre o cotidiano do hospital, o que renderia inúmeras tramas. Com excelentes atuações e roteiro movimentado, o seu cancelamento foi um grande erro, ainda mais no Brasil, carente de boas ideias e que só gosta de fazer filmes e series sobre pobres e novelas no estilo mexicano, com romantismo surreal.


SÉRIES QUE DURARAM MUITO SEM TER O QUE DIZER:

Seinfeld

Eu nem sei mesmo se esta série deveria ter existido. Pelo pouco que eu vi, achei de um humor chato. O próprio público alvo, o yuppie de 35 anos, já tem um perfil típico para ser naturalmente sem graça. O seriado soava como uma piada que se repete. Durou enquanto deu audiência e dinheiro. Apesar de monótona, é frequentemente elogiada - talvez porque os críticos se identificam com a classe social e as situações cotidianas mostradas na série. Só valeu mesmo para revelar a bela Julia Louis Dreyfus, hoje ainda linda e sedutora aos 56 anos. O resto, descarta.

Friends

A série sobre os seis amigos (três homens e três mulheres, que inicialmente não eram casais) que se encontravam constantemente era uma boa ideia. Até a terceira temporada, o seriado era engraçado e movimentado. Mas a partir da quarta temporada, a coisa travou. A audiência crescia, mas as ideias encolhiam. Se arrastou por dez temporadas e consagrou seus protagonistas, todos bem famosos.

O talento de todos os protagonistas permitiu atuações em outras boas obras, mas ninguém foi tao famosa quanto Jennifer Aniston, hoje no primeiro time de Hollywood mais pelo namoro que teve com Brad Pitt do que pelo trabalho como ótima atriz.

Big Bang Theory

Uma série exclusivamente sobre o mundo nerd (no sentido de excluídos sociais que são tímidos, desengonçados e mal-vestidos - hoje o sentido da palavra mudou para viciado em tecnologia e em quadrinhos)? Ninguém teve ideia melhor! Até a 7ª temporada (sua melhor temporada), a série foi maravilhosa, movimentada e engraçada. Poderia ter parado aí, com a cabeça erguida. Mas decidiram pela 8ª temporada e a coisa desandou.

Focaram os relacionamentos dos personagens e praticamente descartaram tudo que caracterizava o universo nerd ate então. Previsto para encerrar na décima temporada, a atual, acaba de ganhar, além de um spin-off sobre a infância de Sheldon, mais duas temporadas, para ficar apenas no beija não beija dos casais da série. E lá vamos nós para mais pieguice e menos nerdice.

A Grande Família

A série surgida em 2001 na verdade era uma espécie de continuação do seriado dos anos 70, com atualização e algumas alterações. Seguiu-se bem até a antepenúltima temporada, quando perdeu o rumo e começou a colocar episódios com tramas bobas e com roteiros confusos, em que o elenco, mesmo talentoso, se sentia perdido como cego em tiroteio, meio sem saber o que fazer. 

O próprio elenco não deixou escapar o desejo pelo fim da série. Se tivesse terminado antes, A Grande Família 2001 poderia ter saído de cabeça erguida e sem irritar o elenco cansado de repetir uma trama que já não fazia mais sentido.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Erros gramaticais cometidos pelas elites e que por isso não são considerados erros

Vivemos numa sociedade de classes. O senso comum se acostumou a acreditar que somos divididos em subespécies de acordo com as nossas posições sociais e a quantidade de bens que possuímos. Perdemos a capacidade de nos enxergamos como semelhantes, pertencentes a mesma espécie humana, com o sangue vermelho do mesmo jeito.

Uma das marcas que separa as classes é a linguagem. Talvez a única coisa que me serviu na faculdade de Letras - que conclui sem ter vocação para a área, pois meu negócio é Administração - foi entender que o conceito de "certo ou errado" na linguagem tem muito mais a ver com a divisão de classes do que com a adequação a regras gramaticais.

Noam Chomsky percebeu isso e por este motivo acabou se tornando um ativista social e cientista político, por entender que o elitismo resultante do conflito de classes, hoje evidenciado pela polarização política da sociedade brasileira, é que definia o sentido da linguagem na sociedade em geral, instintivamente gananciosa e preconceituosa.

Mas ricos também falam errado. Só que por pertencerem a uma classe privilegiada, objeto de admiração de multidões, sua fala não é considerada erro. Pelo contrário: gramáticas são alteradas para se adequar aos erros cometidos pelas classes abastadas. Sua fala não é estigmatizada como errada, pois há um mito de que ricos são sempre inteligentes (que o golpe de 2016 provou ser um mito falso).

Listo aqui alguns dos erros gramaticais cometidos pelos ricos. Alguns desses erros são hoje considerados acertos, pois os mesmos que têm o poder de mudar a sociedade e fazer um golpe para tirar uma presidente honesta e colocar corrutos servientes no lugar, têm o poder de mudar gramáticas, institucionalizando suas gafes gramaticais. Vamos aos erros:

"Aquicessível"

Um cacoete cometido pelos mais ricos é pronunciar a palavra acessível como se tivesse dois cês, fazendo a pronunciada mencionada acima. Parece chique, mas soa estranho. Até porque mesmo que a fonética, ciência quase nunca estudada nas escolas brasileiras, estabeleça que som e escrita são coisas diferentes, é tradição nossa acreditar que o som se baseia na escrita.

Forçação de Barra

Essa dói em meus ouvidos e nos meus olhos. Um tipo de neologismo que acabou por criar a primeira palavra com duas cedilhas - eu desconheço outro exemplo: há outra? - que tem uma sonoridade incômoda, como se fosse uma palavra criada por crianças. Mas vi muita gente séria a utilizar, inclusive em textos formais. O certo seria forçamento, mas quando a elite utiliza, erro vira acerto.

Bi-negação

"Não tem ninguém", "Não gosto de nada" e frases do tipo representam bi-negação, com dois elementos negativos que deveriam se anular. Mas é um erro tao arraigado que até mesmo eu cometo. Mas seguindo a lógica matemática: negar a negação é anular a própria negação, não acham?


Inversão de sentido


Já li em textos formais, inclusive em leis palavras como "jamais" e "alguma" tendo sentido oposto. É muito comum ver este cacoete em leis e em falas de juristas e de lideranças econômicas. Suspeita que seja um meio de fazer as leis complicadas a ponto de serem desobedecidas conforma a oportunidade, favorecendo delitos de colarinho branco.

Balada

Antigamente, balada era sinônimo de música lenta ou de estória triste. Mas em determinado ano da década de 90, uma rádio, com ajuda de um hiper-conhecido e tera-influente jovem apresentador de televisão, balada mudou de sentido virando sinônimo de festa, praticamente anulando a palavra festa e o antigo significado que existia para balada. Hoje tem o sentido praticamente o oposto: ao invés de passar a ideia de calma, passa a ideia de agitação.

Proibido Carona

Um erro facilmente aceito e raramente contestado. Até onde eu sei, carona é um substantivo feminino, tanto no sentido de viajar junto com outra pessoa como no sentido de um rosto muito grande. A não ser que tenha havido alguma elipse para justificar o masculino de "proibido".

Estes são alguns dos erros mais comuns. Deve haver mais, mas estes são os que poderiam estigmatizar as elites como burras, mas são aceitas devido ao prestígio das classes dominantes e pelo uso frequentemente aceito pelo cotidiano.

terça-feira, 2 de maio de 2017

Nem toda opinião divergente merece ser respeitada

Ando lendo muitos textos que pedem que respeitemos as opiniões diferentes. Tudo bem, até concordo que respeitemos opiniões diferentes. Mas discordo quando estas opiniões são absurdas, vão contra a lógica, desmentem fatos ou estimulam o ódio e o prejuízo alheio. É preciso dizer que tipo de opinião merece ser respeitada, pois declarações claramente irracionais podem ser nocivas quando respeitadas.

O bom senso e a racionalidade deve fazer a seleção das opiniões que merecem ser respeitadas. Uma declaração que desmente um fato real pode ser respeitado? Claro que não. Dizer, por exemplo, que um socialista roubou só porque nasceu pobre no Nordeste brasileiro não me parece muito racional. Ou dizer que futebol brasileiro vencendo em campeonatos mundiais acelera a economia porque brasileiros "trabalham felizes". Declarações infantis como esta merecem respeito?

Claro que a diversidade de opiniões deve ser respeitada. Mas antes de tudo, deve-se estipular uma diferença entre opinião e fato. tradicionalmente, brasileiros tem muita dificuldade de estabelecer a diferença entre um e outro, porque considera como "fato" algo que só existe num mundo particular construído dentro da mente de cada um.

Como diferenciar opinião e fato é algo que parece difícil, embora não seja, muitas brigas surgem de divergências. Conceitos errados nascem da confusão entre fato e opinião e atitudes são tomadas com base nestes conceitos, o que perpetua erros, problemas e até injustiças.

Muitos dos conceitos equivocados que se consagram no senso comum são subjetivos e entram em forte atrito com os fatos. Mas crenças coletivas se solidificam e fica complicado corrigir tais conceitos, a não ser que grande maioria da população desenvolva seu intelecto, o que não acontece. É tradição social - de acordo com interesses de lideranças - que grande maioria da população seja desestimulada a raciocinar, se perpetuando na ignorância.

Claro que devemos respeitar opiniões diferentes. Diversidade é sadia e combina com o Brasil. Mas respeitemos opiniões que não choquem com a lógica e com a realidade dos fatos. Devemos antes de tudo usar o bom senso e se possível pesquisar e analisar, antes de julgar uma opinião. Respeitar tolices é tao horrível quanto desrespeitar opiniões sensatas. Separar o sensato do absurdo me parece ser a primeira coisa a ser feita antes de respeitar opiniões.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Consciência política não é falar mal do sistema político

A maioria das pessoas pensa que entende de política. Para elas, basta falar mal de político X ou Y que o entendimento sobre política se mostra pleno. Mas estão errados. Quem pensa desta forma se encaixa bem no perfil de analfabeto político e desconhece bem os bastidores da política. Afinal, não é assistindo telejornal ou lendo revistas e jornais que se obtêm conhecimento sobre política. 

Política é algo complexo que exige profundo conhecimento de História, Economia, Direito e o próprio funcionamento da política. Aliás, não dá para entender política sem o conhecimento das leis, como elas surgem e como são postas em prática. 

Para se ter uma ideia, o que o senso comum conhece sobre política não chega a 1% do que realmente acontece. Por isso que muitas asneiras são ditas como se fossem críticas à política. Nada muito além do que aquela ridícula música da banda infantil Dominó, To P da Vida. Não dá para analisar a política com a raiva de criança birrenta.

E mais: a política não envolve somente políticos. Envolve muita gente, sobretudo empresários (que entram com a grana), juristas (que mexem com as leis) e a mídia (que manipula informação criando falsos vilões e falsos heróis). Ignorar isso é ignorar como funciona a política.

Mas as pessoas se recusam a se informar melhor sobre política, preferindo tratar o assunto como se trata uma novela ou um jogo de futebol, com preferências escolhidas de modo subjetivo, sem conhecer o real papel de fulano ou sicrano na política nacional ou mundial. O julgamento é com base nas informações geradas pela grande mídia, participante do processo político e interessada em defender certos lados, o que faz os meios de comunicação oficiais esconderem muitos detalhes.

O ideal seria que as pessoas pudessem correr atrás de informações no maior número de fontes possível, o que deveria ser feito no tempo livre fora do trabalho. Estudar obras, confrontar dados, visitar sites alternativos e debater de forma madura, com base em informações sólidas (e não em opiniões subjetivas de fulano ou sicrano, com base em prestígio não em logica), unindo política a outras disciplinas como Direito e Economia, é algo que poderia e deveria ser feito.

Mas a própria mídia, como eu disse: interessada nos rumos da política em favor de seus donos, já desestimula a iniciativa, alegando que o - escasso - tempo livre é para descansar e se divertir. E se divertir de preferência de forma irresponsável, com a cara cheia de álcool, algo liberado apenas para fiéis religiosos, que optaram por outras formas de gerar ilusão (religião e álcool são igualmente fugas da realidade). Pensar no tempo livre é um tabu e as pessoas preferem continuar julgando a política de forma subjetiva e com base em informações distorcidas.

Enquanto fingirmos que entendemos de política sem adquiri de fato uma consciência política, vamos sendo enganados, pensando de acordo com as nossas convicções e com o moralismo frouxo que não se preocupa com a verdadeira bondade e sim com interesses particulares de cada cidadão ou do grupo a que ele pertence.

Sinceramente não sabemos nada sobre política. E por isso mesmo continuamos a ser facilmente enganados. E pelo jeito, vamos continuar sendo.